Apoiamos o Brasil do trabalho e dos direitos

 

Estamos na véspera do voto que irá indicar o próximo Presidente do Brasil e gostaria de enviar toda a minha proximidade e solidariedade aos sindicatos, ao movimento das mulheres, aos movimentos populares brasileiros comprometidos em defender sua história, seus direitos e seu futuro para um Brasil solidário e democrático.

As eleições no Brasil têm implicações que vão além do País e que nos afetam como movimento sindical internacional.

A América Latina precisa de um Brasil democrático, que lidere o processo de integração regional e da plena afirmação da democracia, das liberdades e dos direitos humanos em todo o sub-continente.

Não há dúvida de que o período de crescimento das democracias e da luta contra a discriminação das populações indígenas e afrodescendentes, as conquistas de melhores condições de trabalho, a inclusão social, a redução da pobreza e o reconhecimento dos direitos civis, em muitos Países do sub -continente, coincidiu com a gestão dos governos de Lula e Dilma no Brasil.

A experiência de governo do Partido dos Trabalhadores (PT), de 2002 a 2016, mostrou que é possível libertar a sociedade latino-americana das estruturas de poder derivantes da colônia e das oligarquias nacionais das quais herdaram essas funções, concentrando em si poder e riqueza, para distribuir exploração, discriminação e miséria às populações.

Por estas razões, as eleições brasileiras têm uma ressonância e uma atenção, a nível internacional.

Graças ao projeto da União dos Estados da América do Sul (Unasur), ao dinamismo que esse trouxe para a coordenação dos Países emergentes (BRICS), aos investimentos e à cooperação bilateral com os Países da África, à dissociação da ecônomia das restrições e vincolos impostos pelo Fundo Monetário Internacional, o Brasil saiu da dimensão provincial de um País exportador de matérias-primas e de líder na desigualdade social.

O caminho das reformas econômicas e sociais, iniciado e implementado pelos governos de Lula e Dilma, representou um ponto de virada histórica para os brasileiros, mas também para toda a América do Sul.

Mais de 40 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema e do analfabetismo, a educação tornou-se um direito real para todas as cidadãs/cidadãos brasileiros sem discriminação da cor da pele ou extração social, o trabalho reconquistou o reconhecimento dos direitos fundamentais, salários, contratos, proteção social foram conquistadas por milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

Mas 14 anos são poucos contra 500 anos de hegemonia da oligarquia local, herdeira do poder absoluto da colônia. O que aconteceu em 2016 com a derrubada da Presidente Dilma Rousseff, a acusação, a prisão e a exclusão de Lula da competição eleitoral, parecem mais manobras para consolidar o antigo sistema de corrupção e de poder, distraindo a opinião pública das responsabilidades de toda uma classe dominante corrupta, em vez de uma ação séria e profunda que visa eliminar a corrupção pelas raízes.

No entanto, estamos assistindo a uma campanha de deslegitimação e de difamação, dos governos do PT, para cancelar as reformas democráticas e as conquistas sociais, em primeiro lugar com a ação do governo Temer, através de anúncios e promessas de campanha eleitoral porparte do candidato de direita, Jair Bolsonaro, cujo sucesso na primeira rodada é o resultado dessa longa campanha lançada em 2016 pelos poderes fortes para restabelecer, ou melhor, para restaurar a ordem pré-Lula.

Um projeto que tem tido, como sua a mais alta expressão, o uso político da justiça para subverter a vontade do povo e do uso da violência para suprimir as vozes da oposição, num contexto regional e global, onde a direita e o nacionalismo xenófobo e racista são re-emergentes, explorando crises e emergências, para enfraquecer princípios e valores nos quais se baseiam democracias, liberdades e respeito pelos direitos humanos.

No Brasil, estamos assistindo a uma nova etapa deste plano subversivo e anti-democrático, com uma aliança entre as potências economicas e fundamentalistas religiosas, entre o setor da agro-indústria e as igrejas evangélicas, com declarações de apoio provenientes daquela profunda experiência racista que é o Ku Klux Klan, que revê em Bolsonaro a expressão da supremacia branca.

Um candidato que não poupa ataques verbais contra os direitos civis das mulheres, populaçao LGBT, afro-descendentes, indígenas, já traduzidos em violência física por fanáticos inspirados contra adversários políticos ou, simplesmente, pessoas consideradas diversas e indesejáveis.

Um candidato que considera os direitos trabalhistas como um privilégio: “Escolham entre menos trabalho com mais direitos ou mais trabalho com menos direitos” e promete retirar a 13ª mensilidade, enquanto considerado como um custo puro para o Estado, além de confirmar a política econômica de privatização e precarização do trabalho.

Compartilhamos firmamente as manifestações das mulheres, dos sindicatos e dos movimentos sociais em defesa da democracia, dos direitos humanos e das liberdades, e aos quais damos todo nosso apoio, chamando todos os brasileiros a um voto responsável e consciente em relaçao ao desafio que está em jogo.

Brazilian Elections

Pubblicato da CUT Brasil Internacional su Venerdì 19 ottobre 2018

 

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